EXCLUSIVO: Ministério Público do RJ mira empresário do ramo de combustíveis em denúncia que apura suposto esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao deputado Giovani Ratinho
“Genilson do Posto” poderá ser um dos primeiros convocados para prestar esclarecimentos sobre o caso
Segundo informações obtidas pela reportagem, a 3ª Promotoria de Justiça de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, poderá convocar nos próximos dias o empresário Genilson Barbosa Machado para prestar esclarecimentos no âmbito da denúncia nº 2026.00475560.
A notícia-crime, protocolada pelo jornalista investigativo Oswaldo Eustáquio, menciona o deputado estadual Giovani Ratinho e apresenta acusações relacionadas a supostos crimes como tráfico de armas, prática de “rachadinha”, lavagem de dinheiro, pagamento de propina envolvendo emendas parlamentares e outras possíveis irregularidades.
Posto de combustíveis aparece na denúncia
De acordo com o conteúdo atribuído à notícia-crime, veículos utilizados pelo gabinete parlamentar e pela família do deputado seriam abastecidos no Auto Posto Vilar dos Teles Ltda., localizado em São João de Meriti e administrado por Genilson Barbosa Machado, conhecido como “Genilson do Posto”.
A denúncia sustenta que o empresário seria uma pessoa de confiança do parlamentar e teria participação em uma suposta operação destinada à movimentação e ocultação de valores em espécie.
Ainda conforme as alegações apresentadas no documento, malas contendo dinheiro teriam sido transportadas entre três e quatro vezes por mês pelo motorista do deputado, identificado na denúncia apenas pelo apelido de “Negão”.
Relação entre empresário e parlamentar seria antiga
A relação entre o deputado e o empresário não seria recente.
Em 2020, quando Giovani Ratinho disputava a Prefeitura de São João de Meriti, o parlamentar foi alvo de questionamentos relacionados ao uso de verbas indenizatórias da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro — ALERJ.
Após a análise de prestações de contas, despesas com combustíveis registradas por meio de notas fiscais emitidas pelo estabelecimento administrado por Genilson teriam levantado suspeitas sobre uma eventual utilização de recursos públicos para finalidades eleitorais.
Segundo as alegações mencionadas pela reportagem, os recursos teriam sido utilizados em um suposto esquema de compra de votos nas eleições municipais daquele ano, com o objetivo de beneficiar Giovani Ratinho e seu filho, Ratinho Junior, eleito vereador no município.
Empresário foi alvo da Operação Bomba Baixa
Genilson Barbosa Machado também foi preso no ano passado durante a chamada Operação Bomba Baixa, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado — GAECO, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
A operação investigou uma suposta organização criminosa envolvida em fraudes em bombas de combustíveis e na possível mistura de metanol aos produtos comercializados.
A prisão ocorrida naquela investigação, entretanto, não representa, por si só, comprovação das demais acusações apresentadas na notícia-crime atualmente analisada pelo Ministério Público.
Peça importante para esclarecer movimentações financeiras
Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que “Genilson do Posto” seria considerado uma pessoa relevante para o esclarecimento da suposta estrutura financeira atribuída ao grupo investigado.
A expectativa é de que seu depoimento possa auxiliar as autoridades a compreender a origem e a movimentação de recursos relacionados ao patrimônio atribuído ao deputado estadual.
A denúncia questiona como Giovani Ratinho, descrito como ex-motorista de Kombi, teria conseguido adquirir, em pouco mais de uma década, bens de elevado valor.
Entre os patrimônios mencionados estão uma lancha avaliada em aproximadamente R$ 1,5 milhão, imóveis de veraneio em condomínios de luxo, cavalos da raça Mangalarga e veículos de alto padrão.
Os questionamentos são apresentados em comparação com o salário líquido informado do parlamentar, de aproximadamente R$ 25.417,69 mensais.
Ministério Público também analisa dados de servidores do gabinete
Paralelamente, o Ministério Público estaria analisando planilhas encaminhadas pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro contendo informações funcionais e remuneratórias de servidores vinculados ao gabinete de Giovani Ratinho.
Os documentos seriam examinados para identificar a possível existência de servidores fantasmas, devolução irregular de salários e outras inconsistências administrativas.
Entre os registros enviados constariam os três maiores salários do gabinete, recebidos por duas mulheres e um homem, com remunerações que variariam entre aproximadamente R$ 11,5 mil e R$ 16,1 mil.
Segundo o relato atribuído a um colaborador que teria prestado informações às autoridades, essas três pessoas estariam entre os servidores supostamente obrigados a devolver mais da metade dos vencimentos após o recebimento dos salários.
O dinheiro, depois de sacado, seria entregue ao policial militar identificado como Duda Bastos, apontado na denúncia como o suposto “maleiro” do deputado.
As informações permanecem sob apuração e deverão ser submetidas à análise do Ministério Público e, eventualmente, do Poder Judiciário.
Investigação poderá ter novos desdobramentos
A eventual convocação de Genilson Barbosa Machado poderá representar uma das primeiras medidas destinadas a verificar as acusações apresentadas na notícia-crime.
Até o momento, os fatos descritos são objeto de denúncia e apuração, não havendo informação apresentada neste texto sobre condenação judicial definitiva dos citados em relação às acusações relatadas.
A reportagem continuará acompanhando o andamento do procedimento e buscará ouvir todas as pessoas mencionadas, garantindo espaço para manifestações, esclarecimentos e o exercício do direito de resposta.
Aguardem os próximos capítulos.
Nota editorial: as acusações mencionadas nesta publicação são atribuídas à notícia-crime, a relatos de fontes e a informações em processo de apuração. Os envolvidos devem ser considerados inocentes até eventual decisão judicial definitiva em sentido contrário.